THEME BY MARAUDERSMAPS
ink's psychology
Lydia. Dezenove anos. Estudante de Psicologia. Pintora e desenhista nas horas vagas.

david-thesick:

- Eu… Eu… Lembro, na verdade. - dei de ombros, nervoso. - Mas sabe que não lembro onde? 

Eu era um péssimo mentiroso. Sempre me entregava, nunca conseguia ficar com expressões neutras quando falava algo que não era uma pura verdade. Mas é claro que eu dava na cara que já tinha a visto antes e que sabia bem onde aquilo havia ocorrido.

- Vejamos… Morava em Manhattan? Eu vivia lá. - dei um sorriso pequeno, como era de meu feitio. Aquele era o máximo de simpatia que eu poderia atingir.

Aquela timidez e resguarda minha, nenhum terapeuta jamais tinha conseguido retirar de mim. Nem com brincadeirinhas idiotas que supostamente me ajudariam, nem pedindo para eu desenhar pessoas em um papel branco. Métodos estranhos e que não faziam a mínima diferença.

Desenhar uma família feliz não aguçava nem meu lado artístico, nem meu lado familiar. 

Desviei o olhar por um instante e mirei a piscina, enquanto tentava me lembrar do local onde nos vimos a primeira vez. 

“Manhattan” era algo muito vago, mas pelo menos era uma pista. Não que de repente o assunto tivesse ganhado grande importância pra mim, mas estava determinada a resolvê-lo; principalmente quando percebi que o rapaz sabia de alguma coisa e não estava querendo me contar. 

Talvez o tivesse visto em alguma doceria, ou não sei, alguma livraria, mas era pouco provável.

Então veio a lembrança.

Durante as aulas na faculdade, tive de ir à uma clínica psiquiátrica para um trabalho. Observar os pacientes, fazer diagnósticos, coisas do tipo. E assim que entrei em um salão, eu o vi. Foi apenas um relance, mas tinha certeza. 

- Uma vez visitei uma clínica psiquiátrica em Manhattan… E você estava lá, não é? - perguntei; mas já sabia a resposta. Ainda assim não queria deixá-lo mais nervoso, então tentei descontrair. - Eu não ia esquecer de alguém como você. - conclui sorrindo.  

david-thesick:

Suco? Comigo? O que ela queria? Até aquele momento, eu imaginava que toda minha permanência naquela ilha seria solitária, sem muito contato com outras pessoas. E eu não costumava errar nos meus palpites. 

- Hm… Tá bom. Quero dizer, ok, ou melhor, sim, eu quero. - eu não era a melhor pessoa com as palavras, de longe. E uma loira bonita me convidando para tomar um suco? 

Olhei para trás, procurando por algum garçom para fazer o pedido. Todos pareciam ocupados demais e eu mantinha meu foco naquilo, não queria virar a cabeça para a mulher para falar com ela. Eu teria que formular um assunto inexistente, que provavelmente seria babaca demais para despertar algum interesse na moça. Quando eu percebi que ninguém ia mesmo olhar para mim, para que eu pudesse fazer o pedido. 

- E meu nome é David. - desisti de tentar ignorá-la. Virei minha cabeça e dei um pequeno sorriso de lado, entrelaçando minhas duas mãos, uma na outra, nervosamente. - Eu te conheço de algum lugar?

É claro que eu conhecia, e fora em um episódio bem peculiar, mas ela não precisava ficar sabendo disso. Talvez nem se lembrasse de mim, o que era bem capaz, pois eu tinha a visto por… Cinco segundos?

Eu admito que pensei que ele não fosse aceitar. Apostando em uma hipótese, arriscava que o rapaz não tinha ido com minha cara. Mas aparentemente, me enganei.

Virei-me de frente para ele e cruzei as pernas sobre a cadeira de praia. 

- Legal. - disse depois de ouvi-lo concordar.

Em silêncio esperamos por um garçom, que no entanto não apareceu. Pensei em levantar e ir ao bar pedir os sucos, mas antes disso, voltei minha atenção para o rapaz - que parecia não me ignorar mais e falava comigo. 

- Eu sou Lydia - me apresentei e dei um pequeno sorriso. 

Então franzi a sobrancelha, refletindo sobre a pergunta que ele havia me feito. Realmente me pareceu familiar no primeiro momento, mas não sabia dizer se de fato o tinha visto antes. 

Meneei a cabeça e olhei para David, sem a resposta.

- Eu não sei. Acho que já o vi antes, em algum lugar, mas não tenho certeza.

Pendi a cabeça para o lado e ponderei. 

- Você se lembra de ter me visto? 

david-thesick:

- La-la-lápis? - olhei para a moça bonita, sem conseguir sorrir de volta. - Não. - abaixei a cabeça.

Mas nesse movimento, eu vi o tal lápis, debaixo da minha cadeira. Me senti quase na obrigação de pegá-lo, e para isso tive que levantar. Escorreguei lentamente de onde eu me encostava, levantando dali em seguida com um suspiro, encarando a mulher por um momento, mas logo após lembrando do objetivo… pegar o lápis.

Me abaixei e peguei o objeto, e com o mesmo em mãos, levantei-me e andei para perto da… de uma forma, conhecida, e quando eu julguei que estava perto o bastante, lhe entreguei seu pertence.

- De nada. - me precipitei, abaixando a cabeça, mas sem sair de perto dela. - Pronto. - coloquei as duas mãos atrás de minhas costas.

Eu não sabia o que falar, o que fazer, como agir. Dei um passo hesitante para trás, e sentei novamente na cadeira, sem recostar, batendo os pés no chão nervosamente, olhando para a piscina como se ignorasse a existência da moça ali parada, bem na minha frente, engatinhada. 

Sorri exultante ao pegar o lápis. Agora sim, eu podia terminar meu desenho, e não precisaria me preocupar em arranjar outro grafite tão bom quanto aquele.

Voltando minha atenção para o rapaz, notei que ele me ignorava.

- Obrigada. –  agradeci tímida.

Um pouco sem jeito, levantei-me do chão e voltei para minha cadeira. O mais importante agora era terminar meu esboço, então peguei o bloco de desenho e voltei ao trabalho.

De repente, ouvi de longe um homem reclamar que havia uma bolinha de papel no seu copo de suco. Com medo de ser pega, olhei para os lados, e sorrateiramente, escondi o bloco atrás das minhas costas. Torci para que ninguém tivesse visto.

Mordi o lábio, pensando no que fazer. Até que o homem do suco tivesse ido embora, eu não poderia desenhar. Então para passar o tempo, decidi tomar alguma coisa já que estava ficando com sede. 

Procurei por um atendente, mas acabei pousando os olhos no rapaz sentado algumas cadeiras depois de mim. Talvez, ele não fosse de conversar ou não tivesse ido com a minha cara. E já que eu não estava fazendo nada, resolvi testar as hipóteses.

- Ei. – eu o chamei. – Quer um tomar um suco?

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# turno
# david

Fiz uma careta para o rascunho a minha frente. Esticada em uma cadeira de praia, eu tentava desenhar a figura de uma senhora adormecida num colchão inflável na piscina. Apenas tentava - já que meu esboço não estava saindo lá essas coisas.

Arranquei a folha do bloco de desenho e amassei, frustrada. Joguei na mesa ao lado e, sem querer, a bolinha de papel caiu justamente dentro de um copo de suco. Boquiaberta, olhei para o que havia feito.

O suco não era meu.

Peguei meu bloco, o lápis e a borracha, e silenciosamente, levantei-me da cadeira e me afastei. Para minha sorte o dono do suco não estava lá, então, que eu fosse embora o quanto antes. Com um sorrisinho travesso nos lábios, sentei-me em uma cadeira na outra ponta da piscina. Logo voltei a fazer meu esboço, com mais sucesso desta vez.

De repente vi alguém passar por mim e atrair minha atenção. O rapaz era bonito, moreno, e tinha o olhar um tanto intrigante. Por um instante ele me pareceu familiar, mas balancei a cabeça afastando a ideia. Retornei o olhar para meu desenho, e continuei o trabalho. 

amanda-riachutte:

rachel-kellaine:

amanda-riachutte:

Amanda likes it.

Digamos que o Gonzalez e eu estamos planejando alguma coisinha… 

Vocês estão totalmente apoiados!

Eu também apoio.  

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# turno

Foi mais ou menos assim. Só substitua o barquinho por um cruzeiro e aumente o tamanho das ondas. E inclua chuva e o céu nublado. Foi assim que o navio naufragou e eu vim parar aqui.

Era para serem férias divertidas. Uma semana em alto mar com os amigos em um cruzeiro. Despreocupados, não imaginamos que ocorreria algum desastre. E a tempestade veio, em uma tarde ensolarada, surpreendendo todos nós. De repente só vimos o céu escuro, relâmpagos e trovões. Logo o navio virou com uma onda que o atingiu, e começou a afundar. Eu estava no convés quando aconteceu, e sem ter como me proteger, caí e acertei a cabeça. Tudo ficou escuro desde então. Quando finalmente despertei, não havia mais tormenta nenhuma, ondas ou gritos. Eu estava em um bote inflável, segura - também ensopada e com dor de cabeça, mas o que é o desconforto diante da alegria de saber que está viva?

Descobri estar sendo levada para o resort, e intimamente, tive esperanças de encontrar meus amigos por lá. No entanto, não os encontrei. Nem naquele dia, no dia seguinte ou uma semana depois. Perdi-os para sempre. Depois, tentei fazer contato com minha família, mas não consegui. Me dói pensar que ainda estão preocupados comigo, sem ter notícias, imaginando o pior enquanto eu ainda estou aqui, viva. É triste e detesto admitir que talvez não volte a vê-los. Acho que os perdi também. E agora, não me restou muita coisa.

Só tenho a mim. E meus desenhos.

Sou Lydia e vivo no resort há três meses.